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Palavra da ABIC

Um estudo divulgado recentemente merece nossa atenção. Esse estudo analisou municípios do Estado de Minas Gerais produtores de minério de ferro e de café e concluiu que a pujança econômica nem sempre pode ser traduzida em qualidade de vida do morador. Os dados foram publicados pelo Atlas do Desenvolvimento Humano no Brasil, do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud). O estudo mostra que nas cidades onde se produz minérios, a remuneração é melhor, mas a concentração de renda também é maior. Já nos municípios produtores de café, apesar da remuneração ser mais baixa, o impacto da atividade é bem maior, pois emprega mais pessoas.

Outro indicador interessante mostra que a mineração, na média das cinco maiores cidades produtoras do Estado, emprega menos de 10% da população local. O agronegócio café, por sua vez, gera emprego para quase 40% da população. Ou seja, café e minério de ferro, líderes das riquezas naturais de Minas Gerais, com 60% das exportações do Estado, têm comportamentos diferenciados quanto ao seu impacto na economia das cidades onde são produzidos. Os cinco maiores produtores de café de Minas têm, na média, melhor distribuição de renda do que os seus equivalentes na mineração.

O estudo traz outras inúmeras informações, mas o que ele sinaliza claramente é que essa melhoria de qualidade de vida proporcionada pela atividade cafeeira não deve ser restrita a Minas Gerais, mas expandida aos demais Estados produtores. Guardando-se as realidades regionais, o impacto social é muito grande. Daí a minha sugestão de o nosso setor reivindicar alíquota zero do ICMS. Isso alavancaria a atividade em todo o país e acabaria com a terrível guerra fiscal.

O café já faz parte da cesta básica, o que foi um pleito da ABIC, e a maioria dos produtos que a integram tem imposto zero. Por que não pleitearmos esse mesmo benefício para o café? Isso resultaria não só em preços mais acessíveis como influenciaria na melhora da qualidade.

O que todos nós queremos é poder atender à imensa gama de consumidores com a oferta de cafés que atendam aos mais variados gostos – e bolsos. E a base disso, com certeza, é o fornecimento de cafés puros e de qualidade. Aqui, acrescento a importância da proposta da ABIC, feita ao demais integrantes do CDPC, de ampliar o programa de autorregulamentação da entidade, que confere o Selo de Pureza, para monitorarmos 100% dos cafés. São ações como essas, combinando menos impostos e permitindo maior controle das marcas, que alavancarão ainda mais o consumo de café no Brasil.

Ricardo Silveira
1º Vice-Presidente da ABIC


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